A Principal Fonte
Chances mínimas (continuação)

Ao longo dos 30 anos que o experimento funcionou, Davis capturou cerca de 2 mil átomos de argônio. Pelas suas contas, deveriam ser, pelo menos, sete mil. O que estaria acontecendo?

Disparidade confirmada

Superkamiokande
No Japão, um experimento semelhante foi construído por Koshiba e sua equipe. Batizado Kamiokande, o novo detector (desta vez, um enorme tanque com água pura) foi colocado também em uma mina, passando a funcionar a partir de julho de 1983. Caso um elétron desse tanque de água fosse atingido por um neutrino, ele produziria uma luz tênue, que seria captada por fotomultiplicadoras (sensores de luz que lembram lâmpadas caseiras no formato, mas com dimensões maiores). Koshiba pôde comprovar os resultados de Davis: havia uma disparidade entre o número previsto e o capturado de neutrinos solares. O Kamiokande, que era sensível à direção de chegada dessas partículas, mostrou, pela primeira vez, que os neutrinos vinham realmente do Sol.

Explosão cósmica

O Kamiokande (sigla, em inglês, para Experimento Kamioka de Decaimento de Núcleons) inesperadamente conseguiu um feito espetacular. Em 23 de fevereiro de 1987, capturou os neutrinos emitidos por uma supernova, tipo de estrela com pelo menos oito vezes a massa do Sol que explode no final da vida. Estima-se que a supernova 1987A, que explodiu numa galáxia vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães, a cerca de 170 mil anos-luz da Terra (cada anos-luz equivale a 9,5 trilhões de km), tenha emitido um número astronômico de neutrinos (1058, ou seja, 1 seguido de 58 zeros), sendo que dez mil trilhões (1016) deles passaram pelo tanque de água do experimento. Total de neutrinos capturados: 12, o que dá uma idéia de quão fugidia é essa partícula, merecidamente denominada fantasma.

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