Descobrir que os neutrinos têm massa representa a resolução de apenas uma das propriedades das partículas- fantasma. Porém, há outras questões sem resposta. Não se sabe ainda o valor exato da massa dos neutrinos, e isso já é objeto de novas pesquisas. O fato de os neutrinos terem massa tem também implicações profundas para a composição e o destino do universo. Acredita-se que essas partículas devam compor uma pequena parcela da chamada matéria escura, que só pode ser detectada por sua ação gravitacional e representa cerca de 25% da composição atual do universo.
Mesma partícula?
Além disso, não se sabe até hoje se os neutrinos e suas antipartículas, os antineutrinos, são ou não a mesma partícula. Por exemplo, um nêutron pode ser diferenciado de um antinêutron. Já um fóton, também sem carga elétrica, é sua própria antipartícula, ou seja, não é possível nem faz sentido distingui-los. Em 1937, pouco antes de desaparecer misteriosamente, o físico italiano Ettore Majorana (1906-1938) propôs que neutrinos e antineutrinos seriam a mesma partícula. Experimentos tecnicamente complicados tentam hoje testar essa hipótese. Se ela for verdadeira, os físicos terão que tornar ainda mais complexa a teoria que vêm empregando nas últimas três décadas para estudar o mundo subatômico. E aí uma nova era estaria começando para a física das partículas elementares.
Pesquisas com os neutrinos solares e com aqueles produzidos pela colisão de raios cósmicos contra núcleos atmosféricos revelaram detalhes importantes sobre a oscilação dessas partículas. Agora, o estudo dos neutrinos produzidos em aceleradores, bem como daqueles gerados em reatores nucleares, poderá completar esse conhecimento. Além disso, experimentos como o Angra ν e o Minos poderão indiretamente ajudar a responder um dos maiores mistérios da ciência: se matéria e antimatéria foram criadas na mesma proporção no início do universo, então por que esta última é tão rara hoje em dia?