Dois anos depois, o físico inglês James Chadwick (1891-1974) – por sinal, um dos primeiros a desconfiar de que havia algo de estranho com a desintegração beta – descobriu o nêutron (também sem carga e companheiro do próton no núcleo atômico). Inicialmente, achou-se que se tratava da nova partícula, mas logo se percebeu que sua massa era ‘enorme’, praticamente igual à do próton. Enfim, o nêutron era muito ‘gordo’ para desempenhar o papel atribuído por Pauli à misteriosa partícula X.
Pequeno NeutronEm 1933, o físico italiano Enrico Fermi (1901-1954) incorporou o neutrino (por sinal, nome dado por ele, para designar, em italiano, o ‘pequeno nêutron’) a uma teoria elegante, desenvolvida por ele, para explicar a desintegração beta, que passou a ser o seguinte: um nêutron decai (se transforma) em próton dentro do núcleo, emitindo um elétron e um neutrino (na verdade, um antineutrino), sendo que este carrega a misteriosa energia que faltava. Assim, um novo núcleo é formado. Nele, há um próton a mais e, portanto, o número atômico (Z) fica aumentado de uma unidade. Exemplos de desintegração beta: potássio decaindo em cálcio (40K19 → 40Ca20 + e– + ν); cobre, em zinco (64Cu29 → 64Zn30 + e– + ν); trítio em hélio (3H1 → 3He2 + e– + ν).
Três tiposSabe-se atualmente que existem três tipos de neutrinos, associados a outros integrantes da família dos léptons, que inclui, além do elétron, outros dois parentes deste, porém mais pesados: o múon (μ) e o tau (τ). Em 1956, foi detectado o primeiro tipo, o chamado neutrino do elétron (νe, pelos norte-americanos Clyde Cowan (1919-1974) e Frederick Reines (1918-1998). Em 1962, os físicos norte-americanos Melvin Schwartz, Leon Lederman e Jack Steinberger descobriram o neutrino do múon (νμ). Finalmente, em 2000, uma colaboração internacional, a Donut (sigla, em inglês, para Observação Direta do Neutrino do Tau), cujos experimentos foram realizados no acelerador de partículas Fermilab (Estados Unidos), apresentou ao mundo evidências do último deles: o neutrino do tau (ντ).