Como Tudo Começou
Filão perdido

Desde 1914, os físicos que estudavam as propriedades atômicas se deparavam com um problema relacionado à desintegração beta, um tipo de radioatividade emitida por certos núcleos atômicos. Notava-se algo de estranho nesse fenômeno, no qual um elétron é emitido pelo núcleo. Porém, as contas do balanço energético não fechavam, ou seja, quando se somava a energia da partícula expelida com a do núcleo recém-criado, obtinha-se menos energia que aquela contida no núcleo inicial. Faltava um filão (diminuto, é verdade) de energia.

Pilar sagrado

Ao longo da década de 1920, esse fenômeno resistiu a todas as tentativas de explicação. Primeiramente, achou-se que um raio gama (partícula de luz energética) estava sendo emitido juntamente com o elétron. Mas experimentos feitos em 1927 e 1930 desbancaram essa hipótese. Frente a esse problema, grandes físicos da época reagiram de modo muito diferente. Niels Bohr (1885-1962), num ato de desespero, se mostrou pronto a abandonar a lei da conservação da energia, um pilar sagrado da física. Quando soube da proposta de seu colega dinamarquês, o inglês Paul Dirac (1902-1984) respondeu: “Somente por cima do meu cadáver [a lei da conservação da energia será abandonada]”.

Senhoras e Senhores Radioativos...

 
Em 4 de dezembro de 1930, o físico austríaco Wolfgang Pauli (1900-1958) escreveu, de Zurique (Suíça), uma carta para sua colega e compatriota Lisa Meitner (1878- 1968). Aquela uma página, que deveria ser lida para os participantes de uma conferência em Tübingen (Alemanha), começava assim: “Caros Senhoras e Senhores Radioativos...”. Nos parágrafos seguintes, escreveu Pauli, “uma nova partícula pode estar sendo emitida juntamente com o elétron, carregando a energia que falta”. Batizada provisoriamente por Pauli partícula X, ela seria neutra (sem carga elétrica), possivelmente sem massa e responsável pelo filão de energia faltante na desintegração beta.

« Anterior