Computador Quântico (continuação)
Zero e um, ao mesmo tempo

Em um computador dos dias de hoje – denominado clássico pelos físicos –, um bit de informação pode assumir dois valores: zero ou um. Mas, na versão quântica desse equipamento, um bit pode representar, ao mesmo tempo, esses dois valores, graças a um fenômeno denominado superposição de estados. No mundo macroscópico, seria como se a face de uma moeda fosse, simultaneamente, cara e coroa, até que alguém decidisse observá-la ou efetuar uma medida sobre ela. Aí essa superposição se desfaria, e nossa moeda apresentaria ou cara, ou coroa.

Mundo estranho

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O mundo quântico não parece estranho. Ele, certamente, é. A superposição é apenas um dos fenômenos que vão contra o senso comum. No nanouniverso, entidades podem se comportar ora como ondas, ora como corpúsculos. Podem até mesmo ocupar dois lugares ao mesmo tempo. Ou, de forma mais intrigante, manter um tipo de ‘comunicação telepática’. Nada disso tem um correspondente em nosso dia-a-dia. O físico dinamarquês Niels Bohr (1885-1962) certa vez disse que aquele que não fica espantado diante da física quântica é porque não a entendeu. Outro grande físico do século passado, Richard Feynman (1918-1988) foi mais enfático. Para ele, quem afirmasse ter entendido a mecânica quântica estaria mentindo.

Desenvolvimentos importantes

A lei de Moore implica que a tecnologia do silício está com seus dias contados. No entanto, o computador quântico só ganhou algum fôlego nas décadas seguintes, impulsionado por desenvolvimentos importantes. Em 1973, Charles Bennett, da empresa IBM, mostrou que seria possível fazer um computador no qual a informação que entra poderia ser recuperada a partir daquela que sai, algo que, em certos casos, é impossível para os computadores clássicos.