Plasma de Quarks-Glúons:
É possível recriar em laboratório as condições dos primeiros instantes do universo?

Nos primeiros instantes após a criação do universo, não havia átomos nem mesmo os componentes básicos de seu núcleo (prótons e nêutrons), pois as altíssimas temperaturas impossibilitavam que esses constituintes se ligassem. Nesse cenário, o que dominava era um estado extremamente quente da matéria, um tipo de ‘sopa’ — que os físicos denominam plasma — formada particularmente por duas classes de partículas, os quarks e os glúons. No entanto, essa situação perdurou apenas por um décimo de milésimo de segundo depois da grande explosão inicial do universo (Big Bang).

Para tentar recriar essas condições iniciais do universo, os físicos fazem núcleos de átomos pesados (ouro, por exemplo) se chocarem uns contra os outros a velocidades que chegam a 99,99% da velocidade da luz no vácuo (300 mil km/s). Espera-se assim reproduzir o plasma de quarks-glúons, em que a densidade média é cerca de três vezes aquela da matéria nuclear ordinária de nosso dia-a-dia. Esses experimentos têm sido feitos principalmente no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Suíça) e no Laboratório Nacional Brookhaven (EUA). O CBPF e outros centros de pesquisa brasileiros participam dessas pesquisas.