Quando se atira uma pedra sobre as águas calmas de um lago, surgem ondas que se afastam concentricamente do ponto de impacto. De modo semelhante, corpos com massa, ao se movimentarem de modo particular, criariam ondas que se espalhariam, viajando à velocidade da luz, pelo chamado espaçotempo, um uno quadridimensional que reúne as três dimensões espaciais (altura, largura e comprimento) e a quarta dimensão (tempo).
Essas ondas, denominadas gravitacionais, são previstas pela teoria da relatividade geral, publicada em 1916 pelo físico alemão Albert Einstein (1879-1955). Exceto nas proximidades de grandes massas, sua intensidade é praticamente desprezível se comparada com a das ondas eletromagnéticas (ondas de rádio, microondas, luz visível, raios X e raios gama).
Basicamente, duas fontes produziriam ondas gravitacionais detectáveis a partir da Terra: supernovas (megaexplosões estelares) e estrelas que giram uma em torno da outra (sistemas binários). No primeiro caso, a energia ejetada seria equivalente à situação em que toda a massa do Sol se transformaria em energia em meros 5 milionésimos de segundo. Porém, supernovas só ocorrem uma vez a cada meio século em alguma galáxia do universo. Assim, é mais provável que a detecção fique por conta dos sistemas binários, que, apesar de criarem ondas menos intensas, são fenômenos cósmicos mais corriqueiros.
Os físicos dão a existência das ondas gravitacionais como certa e esperam detectá-las já nos primeiros anos deste século. O Brasil participa da caça às ondas gravitacionais através de projeto Gráviton, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais, em São José dos Campos (SP).