Energia Escura:
O que faz o universo se expandir de forma acelerada?

Um ano depois de publicar seu artigo sobre a relatividade geral, em 1916, o físico alemão Albert Einstein(1879-1955) introduziu nas equações dessa teoria uma constante universal – mais tarde, denominada constante cosmológica – para fazer do universo uma estrutura estática, como se acreditava na época. O significado físico dessa constante é o de uma força que anularia o efeito atrativo da gravidade entre as galáxias.

No entanto, em 1929, o astrônomo norte-americano Edwin Hubble (1889-1953) mostrou que o universo estava em expansão. Pouco depois, Einstein arrependeu-se amargamente de sua constante e a considerou o maior erro científico de sua vida. Desde então, a história permaneceu inalterada por cerca de sete décadas: o universo se expandindo com velocidade constante, e Einstein com o estigma de seu suposto ‘erro’.

Porém, no final da década de 1990, a história sofreria uma reviravolta a favor de Einstein. Ao estudar a luminosidade de supernovas (megaexplosões de estrelas), cientistas mostraram que o universo não só estava em expansão, mas fazia isso de modo acelerado, contrariando as expectativas de que estaria diminuindo sua marcha de expansão. Como explicar essa inesperada aceleração? Tudo indica que ela seja resultado da ação de um tipo de força de antigravidade que os cientistas denominam ‘energia escura’. Voltava assim à cena o papel da constante cosmológica. E qual a natureza dessa energia exótica? A resposta ainda é um mistério e, por isso, uma das questões mais quentes da cosmologia atual.