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Artista mineira faz cinema com caixa de fósforos

Publicado: Quarta, 06 de Janeiro de 2021, 11h39 | Última atualização em Segunda, 11 de Janeiro de 2021, 11h09 | Acessos: 71

O talento está em todo lugar. Exemplo disso é a fotógrafa e artista plástica Roberta Priori, que nasceu em Chiador (MG) e vive, hoje, em Mar da Espanha, no mesmo estado.

Roberta é a autora de uma iniciativa de divulgação científica que chama a atenção pela singeleza e criatividade. O ‘Cine Fósforo’ – como ela a batizou – é um ‘cineminha’, com menos de dois minutos, no qual uma tira de papel é desenrolada manualmente e tem como moldura uma caixinha desse utensílio tão útil para a humanidade.

O primeiro Cine Fósforo – com trilha sonora de piano – estrelou o Laboratório Criosfera 1, o primeiro módulo científico brasileiro instalado no interior da Antártida, a 670 km do polo Sul geográfico e a 2,5 km ao sul da Estação Antártida Comandante Ferraz. O ‘filminho’ pode ser visto no YouTube (ver ‘Mais informações’).

 

Cine Fósforo, com imagem do Laboratório Criosfera 1

(Crédito: Roberta Priori)

 

Inaugurado em 2012, o experimento reúne cerca de 15 cientistas brasileiros e chilenos. Energeticamente autossustentável, envia, por satélite, dados meteorológicos e atmosféricos para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos (SP). Ao todo, cinco instituições brasileiras e uma chilena participam do projeto – uma delas, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ).

 

Pesquisadores em frente ao Criosfera 1, no interior da Antártida

(Crédito: Jéfferson Simôes/UFRGS)

 

 A arte é de Roberta, e o roteiro de Heitor Evangelista, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, coordenador das atividades científicas, logísticas e administrativas do Criosfera 1, parte do Programa Antártico Brasileiro. “Como estávamos buscando uma forma de divulgação científica para todos os tipos de pessoas, achamos esse método bem interessante – principalmente, para as crianças”, disse Roberta.

A boa aceitação do primeiro Cine Fósforo animou Roberta e Evangelista, que têm planos para outros ‘episódios’, que deverão ser lançados este ano e, se tudo der certo, levados a escolas.

 

 

A artista Roberta Priori trabalhando em um de seus projetos gráficos

(Crédito: Roberta Priori)

 

Técnica formada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais, Roberta foi talhada como artista multimídia. Começou, na tenra infância, com desenhos; passou pelo bordado, inspirada pelo trabalho da mãe, também artista; fez curso de pintura em tecido e chegou à fotografia, que transformou em profissão.

Especializou-se em fotografia familiar, mas, nas horas vagas, captura com as lentes sua verdadeira paixão: a natureza – ela foi criada em fazendas.

Confira a seguir, a íntegra da entrevista que Roberta deu ao Núcleo de Comunicação Social do CBPF, na qual a artista fala sobre sua infância em fazendas, seus primeiros passos nas artes e na fotografia, a inspiração para o Cine Fósforo e projetos para o mundo pós-pandemia.

 

Como se deu sua opção pelas artes – especialmente, pela fotografia?

Minha paixão pelas artes se deu ainda na infância. Minha mãe trabalhava com bordados e tinha que fazer o desenho para servir de base para eles. Vendo-a fazer seu trabalho, comecei a fazer meus primeiros rabiscos. Cresci e também comecei a bordar. Já na adolescência, fiz um curso de pintura porcelanizada em tecido. Aí, entrou a fotografia. Comecei a fotografar paisagens para depois pintá-las. Acabei deixando a pintura de lado e me apaixonei pela fotografia.

A fotografia passou de instrumento de inspiração para pinturas a hobby e, depois, acabou virando profissão. Hoje, trabalho com fotografia de família, edição de imagens e, nas horas vagas, sou fotografa de natureza. Para mim, tanto na fotografia quanto no desenho, consigo expor meu ponto de vista, meus sentimentos, sem precisar de palavras – sou péssima com palavras!

 

Por que você optou por fotografar a natureza? Nessa área, você tem algum tema preferido?

Fui criada em uma fazenda, em meio à mata, com animais por todos os lados. Sempre muito curiosa e atenta a todos os detalhes. Por exemplo, como uma planta se desenvolvia, como um inseto voava, como uma lagarta podia se transformar em uma borboleta. Coisas simples para mim, mas não para uma pessoa da ‘cidade grande’. Decidi que essas coisas não podiam ficar guardadas apenas para mim. Eu tinha que, de alguma forma, mostrar essas maravilhas às pessoas. Tem uma sequência de fotos que é a minha favorita. É de uma cigarra deixando sua exúvia [‘casca’]. Quando a postei, pessoas me disseram que nunca tinham imaginado que seria assim a metamorfose da cigarra. Daí, tive a certeza de que estava fazendo bem meu trabalho.

Não tenho tema de preferência. Gosto apenas de mostrar as curiosidades da natureza às pessoas, que, às vezes, na correria ou por falta de oportunidade, não conseguem presenciar essas maravilhas.

 

Como surgiu a ideia do Cine Fósforo?

Trabalho com o professor Heitor Evangelista, Universidade do Estado do Rio de Janeiro e que pesquisa a Antártida. Ele, que estava buscando novas opções de divulgação científica para o Laboratório Criosfera 1, experimento que ele coordena. Nessa época, ele me enviou o trabalho de uma pessoa – não me lembro de detalhes da autoria – que mostrava a história do 14 Bis em uma caixa de fósforo. Daí, surgiu a ideia de colocar o Criosfera 1 e reproduzir o dia a dia da Antártica, suas paisagens e a presença dos pesquisadores que, de tempos em tempos, vão até o laboratório.

Ele criou o roteiro, e eu montei a arte. Como estávamos buscando uma forma de divulgação científica para todos os tipos de pessoas, achamos esse método bem interessante – principalmente, para as crianças.

 

Você tem planos de fazer 'Cine Fósforo' para outros projetos científicos?

Sim, Já estamos em fase final de mais um, que será divulgado este ano, em data ainda incerta, por conta da pandemia. O professor Heitor e eu tivemos outras ideias, que vamos colocando em prática aos poucos. Existem inúmeras possibilidades de criação, usando apenas uma caixinha de fósforo papel, lápis e a criatividade. Como a aceitação inicial foi muito boa, estamos buscando meios para levarmos nosso projeto até as escolas. Divulgar ciência com uma linguagem mais fácil e dinâmica. 

 

Quais seus planos para um mundo pós-pandemia?

A pandemia, para mim, foi um período de aprendizagem, reflexão e novas ideias. Com mais tempo em casa, pude me dedicar mais aos estudos em relação à fotografia e ao vídeo, e retomei os desenhos. Pretendo aprimorar meu trabalho na fotografia, o que inclui o uso de um drone nas coberturas fotográficas que faço. Além disso, quero intensificar meu contato com a natureza e o tempo que dedico aos desenhos, que haviam ficado por longo período de lado.

Com relação ao Cine Fósforo, temos vários temas para explorar. O próximo já em fase final e deve ser lançado em breve. Há também uma lista de novos assuntos já prontinha. Ou seja, teremos muito trabalho pela frente.

Também pensamos em criar uma oficina de artes para crianças – na qual elas confeccionariam seu próprio cineminha – ou escrever roteiros voltados para a educação científica infantil.

 

Mais informações:

Cine Fósforo: https://www.youtube.com/watch?v=eLf910u88CQ

Palestra Criosfera 1: https://www.youtube.com/watch?v=68T-iDOvxCE

Brasil na Antártica: https://www.youtube.com/watch?v=MzxlNoditeY

 

 

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